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Peixes ONÍVOROS? O que é…?

24 fev

Onívoras são definidas como aquelas espécies que consomem ao mesmo tempo alimentos de origem animal e vegetal (Vaas, citado por Welcomme, 1979; Dajoz, 1972; Royce, 1972). Outros, utilizam o termo onívoro para as que se alimentam em mais de um nível trófico, não necessariamente de vegetais e animais (Pimm & Lawton, 1978; Pimm, 1980; Yodzis, 1984; Vadas Júnior., 1990). A definição utilizada no presente trabalho procurou enquadrar-se à primeira, muito embora a análise dos alimentos ingeridos tenha mostrado que o segundo conceito também é aplicável para as espécies estudadas.

Coleta estomacal em onivoros

Coleta estomacal em onivoros


Quais seriam as características anatômicas, fisiológicas e comportamentais que possibilitariam a determinadas espécies serem onívoras? Qual é a freqüência de onívoros em comunidades de peixes? Poucos estudos foram efetuados para responder a estas questões, haja vista a deficiência nas literaturas relacionadas ao assunto, excetuando-se exemplos citados em
Welcomme (1979) a respeito da pouca especialização na alimentação de peixes de rios de planícies inundáveis, mesmo com consideráveis especializações anatômicas de dentição, forma de corpo e mandíbulas e anatomia do trato digestivo.

Os alimentos consumidos por estas espécies consistiram basicamente em insetos (terrestres e aquáticos), vegetais (terrestres e aquáticos), e microcrustáceos (cladóceros, ostrácodos, conchostracos e copépodos). Outros alimentos ingeridos em quantidades expressivas, com menor freqüência, foram algas, tecamebas, peixes, crustáceos e rotíferos, e ocasionalmente,
moluscos, ácaros, aracnídeos, briozoários, nematódeos, helmintos e fungos. Discutem-se as implicações anátomo-fisiológicas e comportamentais da onivoria, bem como os prováveis mecanismos de coexistência das espécies onívoras nos ambientes estudados.
DESCRIÇÃO DA ÁREA DE PESCA
Evidenciando o caráter generalista e eurífaga das espécies onívoras ocorrentes na planície de inundação do rio, a dieta alimentar de cada uma das espécies onívoras foi determinada utilizando-se metodologia proposta por Kawakami & Vazzoler (1980). A frequência de estômagos com alimento, em todo o período estudado, foi quase sempre superior a 50%,Tais resultados são coerentes em relação a peixes onívoros, sendo a freqüência mais elevada de estômagos vazios, ocorrente em peixes carnívoros.
Entramos nas várzeas, nos arroios e mais descobertas, frutos, folhas, piavas que seguiam as iscas, pássaros boyeros negros, sabiás, trincaferros, gralas e anus, entre outras derrubavam frutos na água e peixes apareciam na superfície com muito vigor…sempre onde ocorriam as vazantes
Uma característica que pode explicar a ocorrência elevada de peixes onívoros em ambientes tropicais, é a diversidade e abundância de alimentos disponíveis nesses ambientes. Insetos das mais diferentes ordens e famílias são extremamente abundantes em áreas inundadas.
Barrancas firmes e com quedas rápidas e acentuadas tão logo iniciam o rio, acompanhadas de boa vegetação aquática ribeirinha, mata ciliar cerrada e estendida aos banhados, estuariana e restos de árvores mortas, as galhadas velhas, pontos com concentrações de árvores frutíferas, em especial o Ingá, o Pacupari, a Figueira e a Pitangueira, sempre trouxeram maior concentração dos onívaros.
Profundidades iniciais de 2 a 3 metros captura-se pequenos a médios peixes. Em locais onde os fundos apresentavam uma média dos 5 a 6 metros surgiram os maiores exemplares
Em águas superficiais marginais e áreas marginais rasas, possivelmente com vegetação aquática submersa,observou-se que quase sempre, quando uma delas é mais abundante, a outra ocorre em baixa frequência, sendo talvez o mecanismo que possibilita eventuais coexistências. O ambiente entre a meia água e o fundo das margens é onde ocorre o maior número de onívoros.
A OCORRÊNCIA
A ocorrência nos braços permite ampliar os conhecimentos sobre os habitats de ocorrência da espécie, não apenas em águas rápidas, mas também em ambientes relativamente lênticos, como são os braços mortos dos rios com planícies de inundação.
A ocorrência de várias espécies onívoras simultaneamente no mesmo ambiente pode ser explicada por vários fatores, como uso espacial diferenciado do corpo d’água, e estruturas específicas de anatomia corporal e bucal, para a captura dos alimentos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRIAN, I.F.; LANSAC.TOHA, F.A.; ALVES, L.F. Entomofauna disponível para a alimentação
de peixes, comedores de superfície, em duas lagoas da planície de inundação do Alto rio
Paraná, Brasil. Revista UNIMAR, v. 16, n.3, p.117-126. 1994.

BENNEMANN, S.T. Dinâmica trófica de uma assembléia de peixes de um trecho do rio Tibagi (Sertanópolis-Paraná). São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, 1996. 142p. Tese de
Doutorado.

GOULDING, M. The fishes and the forest, explorations in Amazonian natural history. Berkeley:
University of California, 1980. 280p.

PEREIRA, R.A.C. & RESENDE, E.K. de. Peixes detritívoros da planície inundável do rio Miranda,
Pantanal, Mato Grosso do Sul. Corumbá: Embrapa-CPAP, 1998. 50p. (Embrapa-CPAP.
Boletim de Pesquisa, 12).

VADAS, Jr., R.L. The importance of omnivory and predator regulation of prey in freshwater fish
assemblages of North America. Environmental Biology of Fishes, v. 27, n.4, p. 285-302.
1990.

SILVA, A.J. da. Alimentação do pacu adulto, Colossoma mitrei (Berg, 1895) (Pisces,
Characidae), no Pantanal de Mato Grosso. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de
Janeiro, 1985. 92p.

RESENDE, E. K. de; PEREIRA, R.A.C.; ALMEIDA, V.L .L. de & SILVA, A.G. de. Peixes herbívoros da planície inundável do rio Miranda, Mato Grosso do Sul, Brasil. Corumbá: Embrapa-CPAP,
1998, 27p. (Embrapa-CPAP. Boletim de Pesquisa, 10).

RESENDE, E. K. de; PEREIRA, R.A.C.; ALMEIDA, V.L .L. de & SILVA, A.G. de. Ministério da Agricultura e do Abastecimento Boletim de pesquisa número, 16- ISSN 1517-1981, Outubro, 2000. PEIXES ONÍVOROS DA PLANÍCIE INUNDÁVEL DO RIOMIRANDA, PANTANAL, MATO GROSSO DO SUL, BRASIL.

RESENDE, E.K. de; PEREIRA, R.A.C. Peixes onívoros da planície inundável do rio Miranda,
Pantanal, Mato Grosso do Sul, Brasil. Corumbá: Embrapa Pantanal, 2000. 44p.
(Embrapa Pantanal. Boletim de Pesquisa,16).
ISSN 1517-1981
1. Peixe – Comunidade – Alimentação. 2. Peixe onívoro – Pantanal. 3. Pantanal – Peixe
onívoro – Rio Miranda – Mato Grosso do Sul. I. Embrapa Pantanal (Corumbá, MS). II. Título.
III. Série.
CDD: 597.098171
Copyright Embrapa-2000

 
6 Comentários

Publicado por em 24 de fevereiro de 2009 em A Plockmartim

 

6 Respostas para “Peixes ONÍVOROS? O que é…?

  1. Jean Philippe Ribeiro

    23 de agosto de 2010 at 8:24 pm

    Muito interessante!!!gostei d+ disso falou???

     
  2. Jean Philippe Ribeiro

    23 de agosto de 2010 at 8:25 pm

    gostei!!!

     
  3. Jean Philippe Ribeiro

    23 de agosto de 2010 at 8:27 pm

    ô cara vc tirou esta foto da net ou abriu a porcaria do peixe e tirou essas parada aí ou é a bosta dele??é muito nojento zé!!!mas eu gostei nota dez!!!

     
  4. gedi

    11 de novembro de 2010 at 6:24 pm

    gostei do furico kkkkkkkkkkk

     
  5. Daniel Calabrese

    29 de março de 2012 at 4:20 am

    Informaciòn sòlida, rigurosa. Desde Buenos Aires felicitaciones Cesar!

     
    • caroline

      5 de novembro de 2012 at 9:09 pm

      ummmmmmmmmmmmmmm

       

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